Fiz essa tirinha na semana do feriado, pra tentar expressar algo que eu estava sentindo, mas que não consegui colocar em forma de texto. Foi a primeira vez que fiz uma tirinha e gostei de poder expressar um sentimento sem ter de dar muitas voltas ou pensar muito sobre ele.
O último quadrinho foi sugestão de um amigo, uma tentativa de dar leveza a um sentimento muito pesado. Estava tentando me concentrar ao máximo em todas as atividades que começava a fazer, mas que não necessariamente eram uma "obrigação", só para não ter de pensar. Mas na hora do banho tudo vem a tona. Saà e fiz o desenho, e ajudou um pouco. Desenhar é sempre terapêutico pra mim.
Passou o aniversário do 31 de Março (que é em Abril, ao contrário do que parece) e eu não escrevi. Seis dias depois, ainda sem me lembrar do aniversário do blog, escrevi um post. Um mês depois, eu me lembrei do aniversário, mas não escrevi nada a respeito. Até tentei, pra ser sincera, mas não consegui terminar. Cinco anos de blog e eu não consegui pensar em nada para escrever. Cinco anos de blog e parecia que eu não tinha nada para escrever.
E o tempo continuou passando e nada de sair um post. Não teve post no dia da toalha. Não teve post de Link Party nos sábados (já não tem, mas...). Não teve post nem nas terças nem nas quintas, como eu prometi, no inÃcio do ano. Não teve post a respeito de nada, e eu cheguei mesmo a considerar que escrever já não fazia mais parte da minha vida. Esqueci do blog. Sentar para escrever sequer passava pela minha cabeça.
Resolvi procurar uma folha em branco pra fazer um desenho (outra coisa que não estava conseguindo fazer), e encontrei meu blog planner jogado no fundo da gaveta. Blog Planner. As palavras "blog planner" soaram estranhas para mim. Pareciam saÃdas de uma lembrança distante, como se fizessem parte de um passado que não existe mais. Não parecia fazer parte da minha realidade. Na verdade, muita coisa já não parecia real.
Tanta coisa aconteceu, ao mesmo tempo em que não aconteceu nada. Em um dia, eu sentia que não ia conseguir ficar de pé, e no outro, estava levantando num pulo pela manhã. Não estava feliz, mas estava a vontade. Estava a vontade na minha própria condição. Não sei dizer se estou surtando ou me refazendo, mas estou aqui. E estou escrevendo. Pensei que isso não ia mais acontecer. Percebi que pensei um monte de bobagens.
Enfim, cinco anos de blog. Cinco anos de um projeto que, como disse uma leitora querida, tem nossa personalidade e vida estampados. Fico imensamente feliz quando essa mesma estampa acaba servindo para outras pessoas. E fico ainda mais feliz de — apesar do bloqueio — conseguir escrever hoje. Não espero que eu não vá esquecer do blog de novo, mas espero ao menos estar aqui para escrever mais um post de aniversário. Que venha mais um ano! <3
Não deu pra passar aqui e comemorar meu aniversário. Eita! Nem pra fazer aquela piadinha com a data e o nome do blog. Mas tá de boa. As últimas semanas de Março são sempre muito corridas, porque geralmente é quando começam as provas e os trabalhos da faculdade. Eu também costumo inventar moda, como por exemplo, tenho menos de uma hora pra ler mais da metade do livro Orgulho e Preconceito, porque vai ter uma discussão sobre ele no grupo Leia Mulheres, que acontece perto da minha casa, e eu quero ir. E assim eu passo meu tempo livre.
A parte mais estranha de se fazer 21 é que eu não me sinto nem um pouco estranha fazendo 21. Tirando o transtorno de ter que atualizar minha bio em todas as redes sociais, nunca liguei muito pra essa coisa de idade. A maioria das pessoas reclama que estão ficando mais velhas, mas é natural que isso aconteça, é assim que as coisas funcionam: o tempo passa, você fica mais velho. Seu aniversário chega, o tempo passa de novo, e seu aniversário chega de novo. Gosto do meu aniversário, se não gostasse, não teria colocado a data como nome do blog, mas também não tenho nenhuma intenção de fazer a data ser diferente das outras. Completar uma volta ao sol não me faz pensar mais do que os outros dias, mas eu gosto da data mesmo assim.
Uma coisa que eu gosto muito no mês de março é como a própria palavra soa: março. Costumo pensar em flores e em um céu ensolarado, e por causa do próprio blog, penso também em azul. Na minha cabeça, março é azul e vermelho, vermelho vinho. Também gosto de pensar que passei março planejando o blog, já que ele foi criado em abril. Tinha uns dezesseis anos na época. Só coisas boas acontecem em março!
Pra não bater o record de post-mais-sem-sentido, deixa eu ficar por aqui (ainda tenho que terminar Orgulho e Preconceito). Muito obrigada março! E muito obrigada a você que acompanhou o blog em março <3 Feliz aniversário pra mim, e que venha abril!
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| Foto por John-Mark Smith |
Quando li Perdão, Leonard Peacock (um livro que sempre deixo bem claro que me marcou muito), fiquei bastante tocada com um trecho em que Leonard e seu professor conversam sobre uma batalha diária, a batalha que temos que lutar todos os dias para não sermos destruÃdos pelo mundo. O diálogo é o seguinte:
— Minha vida vai melhorar? Você acredita mesmo nisso? — pergunto, embora eu saiba o que ele vai dizer, o que a maioria dos adultos sente que precisa ser dito quando lhe fazem esta pergunta, embora a enorme quantidade de evidências e experiências de vida sugiram que a vida das pessoas fica cada vez pior até elas morrerem. A maioria dos adultos simplesmente não é feliz, isto é um fato.
Mas eu sei que soará menos mentiroso vindo de Herr Silverman.
— É possÃvel. Se você estiver disposto a fazer com que isso aconteça.
— Acontecer o quê?
— Não deixar o mundo destruÃ-lo. Essa é uma batalha diária.
Fora de contexto, talvez não seja tão marcante assim. Mas eu vou dar um spoiler: Leonard está com a arma velha de seu avô nas mãos, prestes a se matar, e a única pessoa que parece se importar com ele — seu professor — está tentando impedi-lo de fazer isso. Esse trecho me marcou demais, principalmente porque eu não tinha pensado na vida como "uma batalha diária". A minha visão era muito parecida com a do Leonard: a vida fica cada vez pior até todo mundo morrer. Esse tipo de pensamento não te dá muita força pra levantar de manhã e ir viver. Quando li isso, muitas coisas se tornaram claras para mim.
Vez ou outra eu me sinto tão desanimada, tão sem energia, que minha vontade é de ficar deitada o dia todo e só deixar o tempo passar. Escrevi sobre isso uma vez, "da minha falta de alma". Na verdade, já escrevi sobre isso tantas vezes que eu parei de postar, por se tornar um assunto tão repetitivo que nem eu mesma queria continuar falando sobre ele. De fato, quando esse sentimento vem, eu apenas digo "olá vazio" e vou fazer alguma coisa, só esperando passar. Eu aprendi a lidar, e em parte, devo a reflexão que esse livro me trouxe.
Quando eu li esse diálogo, ano passado, eu compreendi, não meus "vazios" ou porque eles acontecem, mas compreendi que estava perdendo. Perdendo a batalha de todos os dias. Eu também aprendi com a literatura que tudo o que as pessoas querem é "ficar bem". Acredite em mim, já li essas mesmas palavras em vários livros. E eu também queria ficar bem, logo, quando esse vazio aparecia, além do sentimento ruim que era próprio dele, eu também me sentia mal por não estar bem. Eu me sentia mal por todo mundo parecer funcionar normalmente, e eu, ocasionalmente, precisar fazer um esforço imenso só pra levantar da cama. Me sentia mal por tentar falar sobre isso e as pessoas compreenderem como drama, ou, como no post que falei da falta de alma, entrarem numa competição de quem se sentia pior. Tudo isso se somava, e como resultado, eu me entregava a esse sentimento de desânimo, antes mesmo de começar a lutar.
As palavras de Herr Silverman, ainda que sejam de um personagem fictÃcio, me ajudaram a compreender que "ficar bem" não era algo que surgiria na minha vida como passe de mágica, e que alguma coisa ia acontecer, e então eu seria uma pessoa mudada, realizada e completa. Entendi que eu não me transformaria, de uma hora pra outra, em alguém que não sofre de perÃodos depressivos e que tem uma armadura pra se proteger do mundo. Não, nada disso. Ainda que um dia eu seja essa pessoa, eu precisaria entrar numa longa jornada, e foi o que ficou claro para mim durante a leitura.
Eu entendi que todo dia, principalmente nos dias em que eu não estivesse bem, eu precisaria levantar e travar uma batalha, não com um dragão de sete cabeças, com um chefe malvado ou o trânsito engarrafado, mas comigo mesma, comigo e minha vontade (ou falta dela) de não fazer nada, de apenas ficar deitada, de deixar a vida passar. Precisaria lutar contra meus medos, de falar em público, de me expor, de me aproximar das pessoas. Eu teria fazer um esforço imenso pra tirar o pijama, ir no mercado, ler um livro, começar uma conversa, pegar ônibus, viver minha vida... Eu não seria "uma pessoa que faz coisas naturalmente", mas seria "a pessoa que precisa se esforçar pra fazer tudo naturalmente", e se eu deixasse de fazer as coisas por um dia, e outro, e outro, eu perderia minha "batalha diária" e deixaria o mundo — ou eu mesma — me destruir.
Eu entendi que todo dia, principalmente nos dias em que eu não estivesse bem, eu precisaria levantar e travar uma batalha, não com um dragão de sete cabeças, com um chefe malvado ou o trânsito engarrafado, mas comigo mesma, comigo e minha vontade (ou falta dela) de não fazer nada, de apenas ficar deitada, de deixar a vida passar. Precisaria lutar contra meus medos, de falar em público, de me expor, de me aproximar das pessoas. Eu teria fazer um esforço imenso pra tirar o pijama, ir no mercado, ler um livro, começar uma conversa, pegar ônibus, viver minha vida... Eu não seria "uma pessoa que faz coisas naturalmente", mas seria "a pessoa que precisa se esforçar pra fazer tudo naturalmente", e se eu deixasse de fazer as coisas por um dia, e outro, e outro, eu perderia minha "batalha diária" e deixaria o mundo — ou eu mesma — me destruir.
Parece desesperador a princÃpio. Eu entrei em pânico quando pensei em fazer todas as coisas, todos os dias, até o fim da vida. Me senti como o SÃsifo, do mito: condenada a carregar uma pedra morro acima, só pra ver ela rolar morro abaixo quando eu terminasse. Com uma diferença: a pedra era eu mesma. Imagine enfrentar todos os dias algo que está dentro de você. Um inimigo que não é um inimigo de fato, mas você mesmo. Quase fiquei sem esperanças, num primeiro momento. Mas aà eu percebi que não era tão ruim assim. Quando a pedra desce, SÃsifo tem um descanso; o mesmo acontece comigo, quando estou bem, não preciso me esforçar tanto, as coisas acontecem naturalmente. E quando eu não estou bem, só depende de mim. Vejo as minhas tarefas do dia e vou fazendo uma coisa de cada vez, mesmo que contra a minha vontade, sem pensar muito, sem me cobrar muito, um passo de cada vez. Tem funcionado. Sinto que venci a batalha, naquele dia, e tenho esperança de me sentir melhor, no outro. Se não me sentir, é mais um dia a ser enfrentado, um passo de cada vez.
Cada dia é uma batalha, sim. Mas cada dia é uma vitória também. Pessoas "normais" nunca vão entender o sentimento de satisfação e realização que vem ao se fazer coisas extremamente simples, como visitar um parque, terminar a leitura de um livro, tomar um sorvete... O sentimento de gratidão que vem com cada uma dessas pequenas conquistas. Não é só sobre vencer o vazio, o medo e as inseguranças, ou vencer a zona de conforto, é sobre estar viva, e disposta a viver. Eu estou disposta, e essa é a minha batalha diária, qual é a sua?
Cada dia é uma batalha, sim. Mas cada dia é uma vitória também. Pessoas "normais" nunca vão entender o sentimento de satisfação e realização que vem ao se fazer coisas extremamente simples, como visitar um parque, terminar a leitura de um livro, tomar um sorvete... O sentimento de gratidão que vem com cada uma dessas pequenas conquistas. Não é só sobre vencer o vazio, o medo e as inseguranças, ou vencer a zona de conforto, é sobre estar viva, e disposta a viver. Eu estou disposta, e essa é a minha batalha diária, qual é a sua?
Faço parte de um grupo sobre Minimalismo no Facebook, e alguém teve a gentileza de postar esse documentário. Tinha acordado cedinho na quarta-feira, dia que não tenho aula, e não consegui voltar a dormir. Foi bom, porque entrei no grupo, vi o post sobre o documentário e resolvi assistir, mais por querer dar uma chance pro nome (eu gostei demais de "Observar e Absorver") do que por interesse mesmo.
Tomei café ouvindo as palavras do Eduardo Marinho, e fui lavar a louça do dia anterior (pois é) ainda ouvindo ele. Eu não conhecia esse cara, mas parece que ele é bem conhecido na internet. Ele tem um blog desde 2009, que ainda é atualizado, e um bocado de seguidores no GFC. Template padrão do blogger, nada de página no Facebook. Fiquei feliz de ver que ainda permanece a simplicidade.
O blog, também chamado de Observar e Absorver, não li ainda. Gostei mesmo foi do documentário. Eu, que sempre me senti meio deslocada com a forma como as pessoas vivem em sociedade, vi nas palavras e no estilo de vida do Eduardo um restinho de esperança.
Será que dá pra viver de fato, sem sucumbir a essa pressão de ser alguém, de ter coisas, de consumir, competir, de ser melhor...? Será que dá pra sobreviver fazendo aquilo que gosta, sem carteira assinada, sem plano de saúde, sem ter garantias que vai sobrar dinheiro pra almoçar? Será...?
Tenho que admitir que acho esse estilo de vida tentador, mas eu nunca seria tão radical. O Eduardo largou a universidade e foi viver na rua, ansioso por saber como é viver sem nada. É de arrepiar os cabelos ouvir ele dizer que queria mais do que dinheiro. Me lembrou uma música da Zaz, que um amigo me indicou por "achar a minha cara". Interpretei como um elogio, mas meus pais ficariam de cabelo em pé:
Nem preciso me prolongar mais. Documentário e música falam por si só. Aliás, eu tô enrolando, quando devia tá incentivando a assistir o documentário. Assista, ouça a música, e não esquece de comentar me falando o que achou ;)
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| Foto por Jerry Kiesewetter |
Tava de boas navegando pelo Simplechique, um blog muito maneiro sobre decoração acessÃvel, quando encontrei um post sobre um adesivo de parede feito com contact. Dei uma lida no tutorial da Manuela e lembrei que tinha um pedaço bem grande de contact preto no meu armário, só esperando pra ser usado em algo assim. Lembrei do meu espaço atrás da porta, que eu queria muito fazer algo ali, mas que nunca encontrava algo que ficasse legal, já que fica atrás da porta. Eram 4 da manhã e assim que li o post soube que precisava botar uma frase naquele espaço.
Gastei um bom tempo pensando na frase. Ela tinha que ser curta ou não ia caber, e também me daria trabalho demais pra recortar as letras. Pensei inicialmente em "A simplicidade é o último grau de sofisticação", uma frase do Da Vinci que sou apaixonada, mas acabei me decidindo por "O essencial é invisÃvel aos olhos", do livro O Pequeno PrÃncipe, que mesmo sendo um pouco batida (vamos admitir), eu gosto demais do significado dela.
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| Foto por Estilo Bifásico |
Depois de decidir a frase, o próximo passo foi decidir a fonte. Entrei no DaFont e procurei por uma fonte sem serifa (serifa é aquele "tracinho" que tem nas beiradas das letras, em algumas fontes), poque ficaria mais fácil cortar, e me decidi pela fonte Fontastique, apesar do nome ridÃculo dela.
Medi a parede e abri uma imagem no Photoshop com o tamanho exato da parede. Fiz uma simulação pra ver qual o tamanho da fonte eu usaria, e como ela ia ficar, mas na prática isso não me serviu de nada. Acabei criando um documento do tamanho de uma folha A4 e escrevi a frase, usando o espaço disponÃvel. Medi tudo no olho mesmo. Ia imprimir as folhas com as letras, mas aà lembrei que a impressora tava sem tinta (acho que nunca teve), e não tinha nenhuma papelaria aberta onde eu pudesse imprimir (eram 4 da manhã). Minhas alternativas eram deixar para outro dia, e provavelmente desistir no caminho, ou dar um jeito. Eu dei um jeito, obviamente, e meu jeito foi esse:
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| Como diria a minha e várias outras mães, "quem quer dá um jeito" |
É, eu copiei as letras pela tela do notebook mesmo. Acabou que usei a fonte tamanho 150, mas com zoom de 50% no Office Picture Manager, o que só prova que eu jamais serviria pra ser dona de canal de YouTube de DIY. 4 da manhã e lá estava eu copiando letras pela tela do computador. O bom é que, as letras que repetem eu não precisei copiar de novo, já que eu só precisava de um molde de cada. Algumas letras também são iguais, só mudando a posição, o que poupa tempo na hora de fazer ou imprimir o molde (o "a" minúsculo da minha fonte é um "e" de cabeça pra baixo, assim como o "p" e o "d"). Depois de copiar todas as letras e cortar, fui dormir, com a esperança de que eu não desistiria no outro dia.
Depois desse trabalhão, era hora de passar as letras pro contact. Nessa hora é preciso muita atenção pra não cometer um erro bobo: passar as letras de forma que elas fiquem invertidas. A letra deve ser passada "espelhada", de modo que o lado preto fique com o formato adequado. Fui passando as letras pro contact aos poucos, fazendo pausas pra tomar café, conversar um pouco com alguém, entrar nas redes sociais, até que tudo ficou pronto. Não recomendo fazer tudo de uma vez, ou você pode correr o risco de ficar cansado e errar.
Uma coisa que facilitou muito pra mim fazer isso foi anotar o número de letras que eu precisava de cada uma, e ir fazendo uma letra de cada vez. Por exemplo, se a letra C aparecia 5 vezes na minha frase, eu copiava 5 letras C no contact e passava pra outra. Isso ajudou muito na hora de cortar. Quando enfim terminei de passar tudo, já estava de saco cheio de ver letras na minha frente, e deixei pra cortar no outro dia. Sabia que já tinha chegado muito longe, e depois de desenhar tudo, eu iria acabar terminando de cortar, mesmo que demorasse mil anos.
Fui cortando aos poucos também. Não sou dessas que pega o "pique" de algo e não descansa até terminar, faço uma coisa de cada vez, sem pressa. Fui cortando as letras que tinham menor quantidade primeiro, enganando meu cérebro pra ele ter a sensação de que já tinha feito muita coisa e faltava pouco, e consegui cortar tudo. Artimanhas que a gente aprende quando tem tendência a deixar tudo pela metade.
Terminado o corte, é hora de por a mão na massa
Uma coisa muito, muito importante: conferir a ortografia antes de colar a frase. Eu descobri que Exúpery é com Y (tinha escrito com i, que vergonha) e que faltava um acento e um pingo do i (depois descobri que na verdade tinha perdido eles). Ninguém quer ter uma frase escrito errado na parede né?

Pra colar a frase na parede, segui a ideia dos barbantes que a Manuela usou. Limpei a parede. Cortei tiras de barbante da largura da minha parede, pra formarem linhas, onde eu escreveria a frase. Medi as letras, somei alguns centÃmetros e tornei essa medida a distância entre uma linha e outra. Deu ao todo dez centÃmetros, e eu fui colando as tiras de barbante na parede com fita crepe, de forma que formassem pautas, tipo um caderno. Usei um aplicativo de nÃvel, e sim, existe esse tipo de coisa (celulares vão substituir tudo um dia). O aplicativo não é muito bom, ainda mais que meu celular tem os cantos arredondados, mas quebrou o galho. Eu não sei nem riscar reto com régua, imagine colar essas tiras de barbante com o olho. As linhas ficaram assim:

Fiquei morrendo de medo de colar as letras e ficar muito feio, mas depois desse trabalho todo, eu precisava tentar. Comecei pelo final, a letra y, e fui colando até formar o novo do autor. Preferi começar pelo final pra não correr o risco de ficar sem espaço, e foi melhor assim, já que não ia dar pra fazer do jeito que planejei.
Algumas letras ficaram tortinhas, e eu até percebi na hora, mas arrancar contact da parede não é tão fácil quanto parece. Não tava conseguindo colar reto (tenho 0 inteligência espacial) e acabei deixando pra lá. Ficou engraçado, principalmente porque as letras parecem estar dançando. Depois de colar tudo, tirei as fitas que prendiam o barbante, e deu nisso:
Apesar de ter ficado um pouco torto, e a sombra do guarda-roupa estar atrapalhando, eu gostei do resultado. Quase todo mundo que entrou no meu quarto e viu a frase achou muito estranho, e só meu irmão mais velho perguntou de onde era e como eu fiz (o resto se limitou a lançar um olhar de "ata"). Quem se empolgou mesmo foi meu sobrinho, que mesmo sem conseguir ler o que estava escrito, nem entender quando li pra ele, ficou tão empolgado que me pediu pra fazer no quarto dele também. Como diria O Pequeno PrÃncipe, as pessoas grandes só pensam em números :)












